VIVIMUNDO

Rio De Janeiro Cultura Eventos

Irmandades católicas moldaram o Centro do Rio e deixaram um legado que resiste ao tempo

Por Kevin Ribeiro • 12/04/2026 às 00:25
Irmandades católicas moldaram o Centro do Rio e deixaram um legado que resiste ao tempo

Muito antes de qualquer estrutura estatal moderna, foram elas que deram forma concreta ao cotidiano da cidade.

Eram, ao mesmo tempo, redes de solidariedade, instituições de assistência social, promotoras de cultura e guardiãs da fé — tudo isso conduzido, em grande medida, por leigos, homens comuns que encontravam na Igreja não apenas um caminho espiritual, mas também um papel ativo na construção da sociedade.

Estudo desenvolvido pela pesquisadora Geysa Pereira de Magalhães , da PUC-Rio, ajuda a lançar luz sobre esse universo muitas vezes esquecido.

Ao investigar a atuação pastoral das irmandades nos séculos XIX e XX, a autora mostra que essas organizações foram decisivas para a formação da identidade católica e urbana do Rio de Janeiro, especialmente no Centro da cidade.

São instiuições multicentenárias como as Irmandades da Candelária , da Santa Casa da Misericórdia , da Lapa dos Mercadores ou Santa Cruz dos Militares , entre mais de 60 outras.

Na prática, as irmandades, com suas vestes coloridas conhecidas como opas, eram o coração pulsante da vida religiosa — e também social.

Promoviam festas, organizavam procissões, garantiam enterros dignos, financiavam missas e obras pias, mantinham hospitais e escolas.

Em um tempo em que o Estado era ausente em muitas frentes, eram elas que asseguravam o mínimo de amparo à população, especialmente aos mais pobres.