Já vimos! Entregue à fantasia, A Coroa Perfeita dá aula de k-drama
Entregue à fantasia, A Coroa Perfeita dá aula de k-drama Créditos da imagem: Cena de A Coroa Perfeita (Reprodução) A primeiríssima vez que vemos o Príncipe I-an, protagonista romântico de A Coroa Perfeita , ele está tomando banho.
Depois descobrimos que ele está de volta de uma caçada pelas propriedades reais, mas a princípio o k-drama do Disney+ nos atira na cena sem nenhum contexto – e a dupla de diretores formada por Park Joon-hwa ( Alquimia das Almas ) e Bae Hee-young ( A Cinderela Moderna ) não economiza nas tomadas esfumaçadas mostrando o torso sarado do astro Byeon Woo-seok ( Adorável Corredora ), a água escorrendo por sua nuca, e (para dar um respiro) as roupas ensanguentadas e armas espalhadas pela cama no seu quarto.
A sequência não é a primeira de A Coroa Perfeita , mas vem antes da metade do capítulo de estreia, como um aviso definitivo de que este é o tipo de série que você está assistindo: um produto inteiramente dedicado ao olhar feminino, à fantasia que povoa as histórias de romance – algumas tórridas, outras nem tanto – que se tornaram best-seller ao redor do mundo, em todo tipo de formato.
A Coroa Perfeita não quer enganar ninguém, é claro, mas acima de tudo quer dar o recado de sua dedicação a um tipo de arte que é frequentemente tirado como baboseira pelos circuitos críticos e pelo público que gosta de pensar que tem “discernimento” em seu consumo de mídia.
Esse desembaraço é uma aposta certeira na era imperial dos webtoons , as narrativas virtuais em quadrinhos que dominam a atenção do público na Coreia e além; das fanfics , que apostam no romance e na sensualidade para cativar o público já vidrado em determinadas franquias; e dos próprios k-dramas, que passaram os últimos anos querendo vender uma imagem de refinação, mas só conseguem construir ousadias tonais por se apoiarem no sucesso de romances folhetinescos que vivem negociando fantasia e realidade.
A Coroa Perfeita olha para tudo isso e decide, acima de tudo, que não há motivo nenhum para esconder seus impulsos populistas.