Por que um candidato com mais votos pode não se eleger deputado
Casos de 2022 ilustram essa lógica: candidatos mais votados ficaram de fora enquanto outros, com menos votos, foram eleitos por partidos mais fortes.
O 'processo seletivo' funciona em etapas: primeiro define quantas vagas cada partido terá (quociente eleitoral e partidário) e só depois distribui essas vagas entre os candidatos mais votados de cada legenda.
O modelo foi criado para ampliar a representação política, permitindo a entrada de diferentes grupos e evitando concentração de cadeiras em poucos candidatos.
A Câmara discute substituir esse sistema pelo distrital misto a partir de 2030, mas a proposta ainda não tem data para votação.
Por que um candidato com mais votos pode não se eleger deputado Um candidato pode ter mais votos do que outros e, mesmo assim, não se eleger.
A explicação está no sistema usado para escolher deputados no Brasil, que leva em conta não só a votação individual, mas também o desempenho dos partidos.
Em Mato Grosso, por exemplo, Rosa Neide (PT) foi a candidata mais votada para deputada federal, com 124.
Isso aconteceu porque a federação da qual ela fazia parte não atingiu o número mínimo de votos necessário para garantir mais cadeiras.
Como Mato Grosso tem direito a oito vagas na Câmara, o cálculo do chamado quociente eleitoral resultou em 216.
Esse número funciona como uma espécie de “custo” mínimo para que partidos ou federações consigam conquistar vagas.
Era preciso que a soma dos votos de todos os candidatos da federação atingisse pelo menos esse patamar.