Mansur: 10 técnicos demitidos em 3 meses mascaram problema maior
Os debates colocam em evidência o nome da vítima da vez, posto numa espécie de banco dos réus enquanto acontece o julgamento: “a demissão foi justa?
Em geral, trata-se da notícia da rodada, do fato que quase sempre amansa uma arquibancada inconformada com uma sequência de resultados ruins.
O problema é que, quando analisamos isoladamente cada demissão, quase sempre acharemos argumentos a favor da troca de comando.
Porque, salvo raríssimas exceções, a cabeça é oferecida numa bandeja em momentos de baixa, de derrotas seguidas, de protestos e impopularidade.
Pressa, perfil e elenco: entenda por que o Corinthians escolheu Fernando Diniz Torcedores cobram elenco no CT: "Se perder domingo, vocês tão f.
" Peguemos o caso de Dorival Júnior, campeão da Copa do Brasil, da Supercopa, mas dispensado pelo Corinthians após nove jogos sem vencer, o último deles diante de uma torcida contrariada.
A questão é que, a cada vez que tratamos uma demissão assim, perdemos o contexto, o cenário mais amplo.
Porque quando a queda de um técnico é a décima dentre os 20 clubes da primeira divisão do país, num espaço inferior a três meses de temporada e com apenas dez rodadas jogadas de campeonato nacional, tratar qualquer caso como isolado nos faz perder o mais importante: o personagem central não é o treinador.
Dorival Junior em Juventude x Corinthians — Foto: Luiz Erbes/AGIF Juntas, as dez demissões nos oferecem o alarmante sinal de que existe, no Brasil, uma incapacidade endêmica de analisar processos de trabalho, entender as etapas pelas quais um time de futebol pode passar e, acima de tudo, ter clareza sobre os critérios para escolher um treinador