Segurança ECA Digital não é o fim, é o começo: Brasil retoma a agenda da soberania na sociedade da informação Há 7 minutos
A discussão sobre a regulação de plataformas digitais no Brasil precisa ser situada em uma mudança mais ampla de paradigma.
Se, em um primeiro momento, a internet foi marcada por uma narrativa de otimismo tecnológico, hoje nos encontramos em um cenário de incerteza estruturante .
O desenvolvimento das tecnologias digitais ampliou possibilidades, mas também aprofundou desigualdades sociais, econômicas e informacionais, além de concentrar poder em atores privados que operam em escala global.
Nesse contexto, usuários passam a ser frequentemente posicionados como consumidores passivos, enquanto saberes populares e demandas de grupos vulnerabilizados são sistematicamente silenciados.
É precisamente a partir desse diagnóstico que iniciativas como as do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), em articulação com a Coalizão Direitos na Rede, têm buscado incidir na formulação de políticas públicas capazes de reequilibrar as relações de poder na esfera digital.
Assim, o advento do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente ( Lei nº 15.
211/2025 , ou ECA Digital) representa uma vitória histórica para a sociedade brasileira, consolidando a proteção integral dos direitos de um público que, pela nossa Constituição, tem garantia de prioridade absoluta.
Trata-se de um marco relevante, ainda que não definitivo: longe de encerrar o debate, inaugura uma nova etapa na agenda regulatória brasileira.
A regulação de plataformas é um tema complexo que, em estratégia discurssiva de retroplanejamento, pode ser identifcado como tendo começado pelas crianças e adolescentes justamente por esse dever de proteção integral com prioridade absoluta.
Pode-se defender que a proteção infantojuvenil foi priorizada justamente por sua centralidade co