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O geógrafo brasileiro que viveu 3 anos em Teerã e explorou o país: ' O estreito de Ormuz é o fim do mundo do Irã'

Por Kevin Ribeiro • 06/04/2026 às 11:15
O geógrafo brasileiro que viveu 3 anos em Teerã e explorou o país: ' O estreito de Ormuz é o fim do mundo do Irã'

"Não, estou trabalhando e sem acesso ao meu e-mail particular.

" "No e-mail há três opções de data para sua passagem para Teerã.

" Mortean tinha cerca de 15 dias para providenciar passaporte, pedir demissão do emprego e mudar-se para o Irã por três anos.

Selecionado entre 75 candidatos brasileiros a uma bolsa integral de mestrado na Academia Diplomática Iraniana ("uma espécie de Instituto Rio Branco deles", define), o geógrafo viveu em Teerã de 2009 a 2012.

Ao desembarcar na capital iraniana, ele acumulava seis anos de pesquisa sobre o país, que culminaram na implantação da área de Estudos Iranianos no Laboratório de Geografia Política (Geopo) da Universidade de São Paulo (USP), onde se graduara havia sete meses.

Se o currículo acadêmico era invejável, o passaporte era de iniciante: aos 27 anos, Mortean tinha deixado o país por apenas duas vezes, com destino a Argentina e Colômbia.

A epopeia conferiu ao hoje professor de pós-graduação do Instituto de Estudos Contemporâneos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) um conhecimento de primeira mão sobre boa parte do teatro de guerra do atual conflito no Oriente Médio.

Enquanto para o noticiário da guerra está povoado de nomes remotos e exóticos para a maioria do público, para o geógrafo esses lugares invocam paisagens, rostos e sensações que, passados 14 anos, seguem vívidos na memória.

Mortean percorreu boa parte do litoral do Golfo Pérsico, incluindo as três grandes províncias iranianas da margem norte (Khuzestão, Bushehr e Ormuzgão) e três países da Península Arábica na margem sul (Catar, Emirados Árabes e Omã).