Speed Racer: Este é o único live-action que conseguiu traduzir as páginas de um mangá para a telona do jeito que leitores imaginavam, mas ninguém lembra dele
Minha mãe fez a mesma coisa comigo, mas, mais do que assistir às corridas aos domingos, ela fala que essa paixão não surgiu com as exibições delas na televisão, mas sim com Speed Racer, o anime da década de 1960 por Tatsuo Yoshida.
Eu, por outro lado, não só cresci ouvindo sobre o Mach 5, mas também com outros animes e suas, em grande parte, horríveis adaptações hollywoodianas, então eu sei muito bem diferenciar um live-action ok e um horrível.
Claro, eu posso estar falando isso com um toque de nostalgia, do mesmo modo que sempre defendi a trilogia prequel de Star Wars antes de ser considerada "legal".
Mas a adaptação de 2008 é realmente única e, assistindo-a quase todos os anos, consigo ver que foi um dos únicos (e talvez o único) filmes que realmente capturou toda a ação e essência do mangá e anime: uma euforia.
Sempre quis fazer um texto sobre Speed Racer e finalmente achei o momento certo para tal, já que nos EUA será lançada uma versão 4 K do filme com um extra com comentários da dupla de diretoras .
Ao longo dos anos, vi essa adaptação ganhando uma base de fãs que passou a entender melhor a visão das cineastas e a infelicidade do longa não ter rendido em bilheteria, apesar de ser incrivelmente divertido.
Para entender a visão das Wachowski, é preciso voltar para o mangá de 1966.
Publicado na revista Shōnen Book, o mangá de Speed Racer, apesar de preto e branco, tinha uma fluidez inédita dos painéis para as histórias daquela época, principalmente quando Speed entrava no Mach 5.
O anime, exibido no ano seguinte ao começo da publicação, colocou mais ação nos quadros para mostrar a adrenalina que era entrar em um carro como esse, assim como as diversas aventuras que o protagonista e sua família tinham com inimigos.