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' Símbolo sinistro do horror da ditadura': como estudo achou sala onde regime simulou suicídio de Vladimir Herzog?

Por Kevin Ribeiro • 31/03/2026 às 11:07
' Símbolo sinistro do horror da ditadura': como estudo achou sala onde regime simulou suicídio de Vladimir Herzog?

31/03/2026 07 h00 Atualizado 31/03/2026 Caso Herzog: o fim de um mistério Mais de 50 anos após a morte do jornalista Vladimir Herzog, pesquisadores conseguiram identificar o local exato onde a ditadura militar encenou o falso suicídio que marcou um dos episódios mais emblemáticos do período.

O achado é resultado de um trabalho minucioso que envolveu historiadores, arqueólogos e arquitetos especializados em espaços de memória.

A partir da escavação de pisos, paredes e tetos, a equipe encontrou indícios materiais que coincidem com registros fotográficos e documentos da época — entre eles, a imagem do corpo de Herzog pendurado por uma faixa na grade de uma janela, divulgada à época pelos militares como suposta prova de suicídio.

“Ali havia vestígios encobertos por reformas posteriores, mas que guardavam respostas para um dos episódios mais simbólicos do horror da ditadura", diz um pesquisador.

— Foto: Reprodução/Fantástico O prédio, que abrigou o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), foi reformado na década de 1980 para receber o Instituto de Criminalística.

Pisos foram trocados, paredes cobertas por tinta e azulejos, e estruturas removidas.

Ainda assim, os pesquisadores conseguiram localizar marcas reveladoras.

Entre os elementos encontrados estão remendos na parede que coincidem com os pontos de fixação da grade da janela vista na foto histórica, vestígios do antigo piso de tacos — depois recoberto por material vinílico — e um buraco na parede que corresponde ao local onde ficava a caixa do ferrolho da porta, retirada durante a reforma.

As dobradiças originais da porta também permanecem no mesmo lugar.

A comparação com o laudo da morte de outro preso político, o PM José Ferreira de Almeida, morto no mesmo ano e na mesma sala, reforçou as conclusões.

“Janela, piso, ferrolho e dobradiças, cruzados com a documentação histórica, dão segurança de que foi exatamente aqui que a farsa