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Filmes O Drama mostra o lado feio da cultura da fofoca na era da internet3 min de leitura Caio Coletti

Por Kevin Ribeiro • 31/03/2026 às 11:01
Filmes O Drama mostra o lado feio da cultura da fofoca na era da internet3 min de leitura Caio Coletti

Esse provavelmente seria o título do post de Charlie ( Robert Pattinson ) nas comunidades de conselhos e histórias do Reddit, caso ele vivesse no mundo real e não fosse um personagem de O Drama , o novo e aguardado longa de Kristoffer Borgli ( O Homem dos Sonhos ).

A noiva em questão é Emma ( Zendaya ), e o segredo que ela conta ao amado é o estopim para todo o tal drama do título do filme.

Não vamos ser cretinos o bastante para revelar por aqui o que a campanha de marketing de O Drama escondeu tão bem: o conteúdo da confissão de Emma.

Basta dizer que o texto do filme, também assinado por Borgli, entende muito bem o que faz uma fofoca como as que movimentam certos cantos da web ser especialmente crocante.

O Drama é o que toda boa história de internet (reproduzida nos inúmeros perfis de Tik Tok, You Tube e podcasts que ganham a vida com isso) precisa ser para viralizar: inflamatório, corrente e estupidamente despreparado para lidar com tudo isso.

E, de certa forma, não é surpresa – já em O Homem dos Sonhos , Borgli tinha demonstrado fluência na linguagem da internet, e interesse em analisar os seus pormenores para revelar sua toxicidade.

Aquele filme era sobre memes, e a vida útil miserável deles; este, é sobre fofoca.

Ambos, no fundo, são sobre como os espaços virtuais contaminaram os espaços reais, e despertaram em nós os instintos reativos mais básicos.

Sobre como, hoje em dia (ainda que talvez desde sempre, em certa medida), somos incapazes de racionalizar aquilo que nos causa nojo, repulsa, tesão, raiva, ou qualquer mistura de outros sentimentos primários que nos movem.

A melhor qualidade de O Drama é quão bem ele retrata esses desencontros entre os personagens que acompanhamos e