Delegacia especializada e sala de acolhimento: veja como o Botafogo combate a violência contra mulher
O projeto Hora Delas completa quatro anos em 2026, com o objetivo de promover conscientização e aumentar a presença do público feminino nos dias de jogo.
O projeto intensifica as ações em meio ao preocupante aumento de casos de feminicídio no país e grande repercussão de episódios recentes de misoginia no futebol, como a suspensão de um zagueiro do Bragantino por falas machistas contra uma árbitra em fevereiro, e, em março, a proibição de dois torcedores de frequentar estádios por terem cometido importunação sexual contra a médica do Nacional-SP.
— Em um primeiro momento, o projeto surgiu para trazer as mulheres para dentro do estádio.
A gente achava que a gente tinha um público gigante de mulheres que eram apaixonadas por futebol, mas que não se sentiam seguras dentro do estádio — explicou Paula Young, Diretora Comercial do Botafogo.
Paula Young, diretora Comercial do Botafogo — Foto: Divulgação: Thiago Simplício/Botafogo Desde então, o projeto conseguiu dar passos concretos.
Entre eles, a parceria com Juizado Especial Criminal (JECRIM), que atua no estádio com apoio da Delegacia da Mulher (DEAM), permitindo que episódios de violência tenham encaminhamento imediato.
Um caso recente ocorreu no dia 10 março, quando uma trabalhadora de uma das lanchonetes levou um soco de um torcedor.
A prestadora de serviços foi acolhida por uma das responsáveis pelo Hora Delas, que a acompanhou até a delegacia e, em seguida, o agressor foi levado ao Juizado do Torcedor.
Para fazer este trabalho de acolhimento, o Botafogo realizou treinamentos com seus funcionários e, antes de todos os jogos, as equipes de segurança terceirizadas recebem instruções sobre como proceder.