The BRIEF' Navio negreiro das almas': líder indígena critica data center de R$ 200 bi do Tik Tok Há 6 minutos
Em um momento de sossego após um dia cansativo de trabalho, você descobre que farão uma grande obra a alguns quilômetros da sua residência e que por conta disso, existe a possibilidade de haver desabastecimento de água.
Como se não fosse o bastante, além desse incomodo, a instalação será feita dentro de um parque muito especial para você.
O local em que você construiu diversas das suas melhores memórias afetivas será completamente destruído por maquinários pesados e uma centena de homens.
Adicione ainda em toda essa equação o fato de que você não foi consultado sobre qualquer um dos processos.
É mais ou menos assim que os indígenas Anacé estão se sentido.
O povo Anacé vive tradicionalmente entre os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza (CE).
Neste momento, avançam a todo vapor próximos ao local as obras de instalação de um data center do Tik Tok que terá custo de R$ 200 bilhões .
Assim como o morador (não tão) fictício do grande certo urbano que está vendo suas memórias e vida serem transformadas pelas retroescavadeiras, o povo originário está sofrendo com a falta de perspectiva e o receio de terem a relação com a terra totalmente transformada.
Na verdade, no caso dos indígenas, ainda há o agravante de ter que conviver com situações não raras de violência, o que gera uma sensação inevitável de insegurança.
Só que apesar de todos os reveses, “medo” não é um conceito que parece estar presente no vocabulário da população tradicional.
O Tec Mundo conversou com exclusividade com o Cacique Roberto Ytaysaba Anacé.