Filmes Uma Segunda Chance falha em atualizar o melodrama hollywoodiano3 min de leitura Caio Coletti
É quando Kenna ( Maika Monroe ) se vê na casa dos ex-sogros, Grace ( Lauren Graham ) e Patrick ( Bradley Whitford ), negociando sua reentrada na vida da família – e especialmente de sua filha, Diem ( Zoe Kosovic ) – após uma temporada na prisão.
Ali, as ideias do filme sobre perdão, mágoa e apego ao passado vêm a cabo de forma genuinamente tocante, enquanto a diretora Vanessa Caswill ( Amor à Primeira Vista ) explora sutilmente as quebras de normalidade dentro do ambiente doméstico.
É nessas cenas, enfim, que Uma Segunda Chance abraça de vez um território de gênero ao qual sempre pertenceu: o do melodrama hollywoodiano.
Virtualmente intocado – ao menos, fora da obra de diretores como Pedro Almodóvar e Rainer Werner Fassbinde r – desde os anos 1950, quando os filmes de Douglas Sirk as definiram, essas tragédias domésticas entravam no coração dos Estados Unidos e expunham com grande pompa os desencontros, desenganos e desilusões que aconteciam em suas salas de estar imaculadas, seus jardins manicurados, suas vizinhanças amistosas.
Uma Segunda Chance , até pela ambientação que herda do livro de Colleen Hoover , tem tudo para fazer a mesma coisa.
A história de Kenna se passa na cidade de Laramie, estado de Wyoming, quase literalmente no centro dos EUA, que na vida real tem pouco mais de 30 mil habitantes, e nesta adaptação cinematográfica é recriada para parecer ainda menor – um par de ruas, um par de bares, um par de prediozinhos dilapidados, um bairro suburbano para residentes afluentes.
Ademais, Caswill não economiza em tomadas grandiosas dos vales e montanhas que tipificam o interior estadunidense no cinema hollywoodiano.
Dentro desse cenário, o texto assinado por Lauren Levine ( Ponte para Terabítia ) ao lado da própria Hoover ainda se propõe a contar histórias de personagens bem “sal da terra” para