Séries e TV Emergência Radioativa faz “Chernobyl à brasileira” em série sobre o Césio-1373 min de leitura Guilherme Jacobs
Não é só a semelhança entre a nova minissérie da Netflix e a excelente produção lançada pela HBO em 2019 – trata-se de um paralelo feito repetidamente por brasileiros na própria história de Emergência Radioativa .
Afinal de contas, situada em 1987, a narrativa acontece apenas um ano depois da catastrófica explosão de um reator nuclear na então União Soviética.
Você precisará de pelo menos duas mãos para contar quantas vezes os físicos Márcio ( Johnny Massaro ) e Orenstein ( Paulo Gorgulho ) precisam responder à imprensa, políticos e ao povo goianense sobre o quão parecida com Chernobyl é a situação que se desenrola depois que uma cápsula do Césio-137 contamina a cidade.
Criada por Gustavo Lipsztein , Emergência Radioativa toma a excelente, e levemente metalinguística, decisão de abraçar a comparação que o público assistindo à produção fará justamente porque ela também aconteceu por quem viveu a realidade, e ao fazê-la, o roteirista e sua equipe abrem espaço para enfatizar precisamente o que diferencia o acidente radiológico de Goiânia do que aconteceu meses antes na Europa.
Ela revela-se tão preocupada com a situação social e cultural dos afetados quanto com a resposta das autoridades, médicos e profissionais de saúde à contaminação.
Afinal de contas, os 19 gramas do isótopo que se espalham por Goiânia e levam, eventualmente, à morte de mais 100 pessoas, estavam numa cápsula abandonada nas ruínas de uma clínica que foi recolhida por dois catadores e aberta num ferro-velho.
Todas as pessoas envolvidas no ocorrido, e que precisam ser evacuadas – assim abandonando suas casas e locais de trabalho – são da classe trabalhadora, precisam suar para pagar as contas e já sentiram de perto o que é sofrer preconceito por conta da cor de sua pele, status econômico e ramo de traba