Filmes Para o belo Depois do Fogo, lar é o lugar onde está sua história4 min de leitura Caio Coletti
Lançado no Festival de Sundance 2025 , meros dias após os incêndios florestais que devastaram a região de Los Angeles (EUA) - muita gente que estava no evento, vale lembrar, chegou lá justamente da região da Califórnia, o centro nervoso da indústria de entretenimento do país -, o longa de Max Walker-Silverman tem uma premissa chocantemente corrente: Dusty ( Josh O’Connor ), um caubói do interior dos EUA, vê seu rancho ser destruído por um incêndio florestal e acaba indo parar em um acampamento governamental, onde constrói laços com outros desabrigados e se reconecta com a filha, a introvertida Callie ( Lily La Torre ).
Walker-Silverman, como já tinha ficado claro no seu longa anterior (o também excelente A Love Song , de 2022), não é afeito a grandes reviravoltas de trama, nem atos melodramáticos que transformam a vida de seus personagens radicalmente.
Nas obras do cineasta, a vida se move no ritmo gentil da brisa quente das vastas planícies do Meio-Oeste dos EUA, sem nunca trair as mudanças sísmicas, as mágoas profundas, e as libertações definitivas que vão se construindo no mundo interior dos personagens.
O padrão que surge entre seus dois filmes é claro: aqui estão pessoas que vão se deixando levar pelo acaso, até o momento em que precisam fazer uma escolha definitiva entre isolamento e comunidade.
Nesse sentido, se A Love Song era uma história de quebrar o coração sobre aqueles que escolhem o isolamento (e há certa nobreza nisso, argumenta o filme), Depois do Fogo faz um díptico bonito com ele ao centrar um personagem que elege o caminho contrário.
Melhor ainda, o texto de Walker-Silverman é contundente em revelar os motivos por trás dessa escolha: como Dusty poderia virar as costas para tudo isso , parece perguntar o diretor, após nos