Atraso em reunião entre Lula e Trump abriu espaço para ala ideológica no governo dos EUA, dizem diplomatas
Na análise de integrantes do Itamaraty, o distanciamento fez a “química esfriar” e abriu espaço para que a ala ideológica do governo norte-americano voltasse a ganhar força.
Lula pretende fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Trump.
A ideia inicial era que o encontro em Washington ocorresse neste mês de março, mas a viagem permanece sem data definida.
Funcionários do governo Trump afirmam, sob reserva, que nomes como Marco Rubio, secretário de Estado, e Darren Beattie, assessor de Trump para políticas relacionadas ao Brasil — que chegou a pedir para visitar Jair Bolsonaro — estão conseguindo emplacar pautas ligadas à família Bolsonaro dentro do governo americano.
Segundo esses interlocutores, os bons resultados de Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais têm chegado a esses integrantes da administração Trump e reforçado a estratégia.
Moraes autoriza Bolsonaro a receber visita de assessor de Trump na prisão Diante do fracasso do tarifaço, essa ala passou a investir com mais intensidade no tema da segurança pública.
No governo brasileiro, a avaliação é de que é preciso reagir.
Integrantes do Planalto dizem estar incomodados com a narrativa que vem ganhando força nas redes sociais de que o governo defenderia facções criminosas como o PCC e o CV.
Em caráter reservado, diplomatas mencionam o temor de que os Estados Unidos utilizem o combate ao narcotráfico e a classificação de grupos como terroristas para justificar operações militares na região.
A preocupação é, principalmente, a tentativa norte-americana de interferir em assuntos de soberania nacional.