' Se ninguém fizer nada, este lugar se tornará uma terra morta': o alerta de morador que voltou para Fukushima, 15 anos após o desastre
Em Futaba e nas cidades vizinhas, moradores que decidiram retornar convivem com uma pergunta que ainda não tem resposta clara: é possível reconstruir uma comunidade depois que quase todos foram embora?
Nos últimos anos, a região de Futaba e das cidades vizinhas começou a atrair pequenos projetos industriais e tecnológicos.
Iniciativas que tentam responder à pergunta que paira sobre Fukushima desde 2011: como reconstruir uma economia em um território marcado por um desastre nuclear?
Para muitos japoneses, Fukushima continua associada a um risco invisível.
Em várias cidades da região, medidores de radiação foram instalados em praças, escolas e prédios públicos, exibindo em tempo real níveis que, segundo o governo japonês e organismos internacionais como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), hoje são comparáveis aos de grandes cidades ao redor do mundo.
Isuke Takakura aceitou liderar um projeto simbólico — reconstruir o santuário xintoísta da comunidade, destruído pelo tsunami — Foto: Ewerthon Tobace/ BBC Quando Isuke Takakura voltou para Futaba, a cidade já não existia como ele lembrava.
Algumas casas permaneciam de pé — silenciosas, vazias, com janelas fechadas havia mais de uma década.
Antes do desastre de 11 de março de 2011, Futaba tinha cerca de 7, 2 mil habitantes.
Hoje, quinze anos depois, apenas cerca de 190 moradores vivem oficialmente na cidade, segundo dados da prefeitura local — uma redução de mais de 97% da população.
Ele caminha devagar pelas ruas que conhece desde criança, passando por casas abandonadas e terrenos onde a vegetação cresceu sem controle.