Série criminal do Prime Video Scarpetta, com Nicole Kidman, é boa?
Créditos da imagem: Nicole Kidman em Scarpetta (Reprodução) É difícil colocar Scarpetta no mesmo balaio de Detetive Cross , Reacher ou Jack Ryan , embora a princípio pareça muito instintivo fazer isso: são as três, afinal, séries com pique de thriller (algumas mais puxadas para a ação do que outras), produzidas pelo Prime Video , e inspiradas em séries de livro best-seller nos EUA.
Mas só uma delas tem três vencedoras do Oscar ( Nicole Kidman , Jamie Lee Curtis e Ariana De Bose ) no elenco, e digo isso muito mais como um sinalizador de prestígio, de intenção, do que certificado de qualidade.
Dito e feito: Scarpetta demonstra, já em seus primeiros episódios, a ambição de introduzir algo de mais sofisticado nesse filão da série criminal de streaming com origem literária.
A começar pela classificação indicativa – para maior de 18 anos –, escancarada nas sequências iniciais do primeiro capítulo, nas quais o diretor David Gordon Green (da nova trilogia Halloween ) exibe sem pudor um cadáver feminino nu largado na beira de uma ferrovia, revisitado mais tarde em flashes entrecortados de violência.
É apropriado, claro, porque Scarpetta acompanha não um espião internacional ou detetive de polícia, mas sim uma médica-legista.
É a profissão da personagem título, vivida por Kidman, que volta a trabalhar para o governo da Virgínia (EUA) após dez anos afastada, assumindo logo de cara um caso de assassinato que se conecta, surpreendentemente, a outro investigado por ela em 1998.
A série não tem medo de se embrenhar nos miúdos sangrentos da função de Scarpetta, mas essa é só a ponta do iceberg.
Para solidificar a conexão entre os dois casos, a roteirista Liz Sarnoff ( Deadwood , Fringe , Lost ) lança mão de pulos temporais demarcados com sutileza através de elementos cênicos chave – um telefone mais antigo, uma forma diferente de fazer café, o uso recreativo de ofensas homofóbicas no diálogo.
E a escalação é certeira: Rosy Mc Ewen ( Black Mirror ) está ótima como a Scarpetta de 1998,