Tribunal de direitos humanos manda Peru indenizar família por morte ligada a esterilização forçada em 1997
A Corte Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Peru pague indenização pela morte de uma mulher submetida a esterilização forçada em 1997, durante o governo do ex-presidente Alberto Fujimori. Celia Ramos tinha 34 anos quando morreu, deixando três filhas em uma aldeia andina. Ela procurou atendimento em um centro de saúde público, mas acabou sendo pressionada a se submeter a uma laqueadura.
O procedimento foi realizado em condições negligentes, sem equipamentos adequados e sem medicação suficiente para lidar com possíveis complicações. Durante a cirurgia, Ramos teve uma reação alérgica grave, mas não foi levada imediatamente para a unidade de terapia intensiva. Essa omissão foi fatal, e a mulher não sobreviveu.
A política de esterilização forçada, implementada durante o governo de Fujimori, atingiu principalmente mulheres pobres e indígenas. O programa foi marcado por procedimentos realizados em condições precárias, sem o devido cuidado e respeito aos direitos das pacientes. A decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos é um importante passo para a justiça e a reparação das vítimas dessa política.
Uma decisão histórica, a da Corte Interamericana de Direitos Humanos, é a primeira do principal tribunal de direitos humanos da América Latina sobre o programa de esterilizações forçadas realizado no Peru. Ela reconhece a responsabilidade do Estado peruano pela morte de Celia Ramos e estabelece um precedente importante para as demais vítimas da política de esterilização forçada.
As vítimas e suas famílias ainda esperam por justiça e reparação. A decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos é um sinal de que o Peru está sendo responsabilizado por suas ações passadas. No entanto, ainda há muito a ser feito para garantir que as vítimas da esterilização forçada recebam a justiça e a compensação que merecem.