Mansur: Fla chuta o respeito e reencontra a instabilidade
Assim como o fato de ter ocorrido a seis dias da final do Campeonato Carioca.
Nenhum dos dois fatos tem peso suficiente para sustentar argumentos contra a troca de treinador, afinal um clube como o Flamengo não inicia uma temporada olhando para jogos contra o Madureira, ou mesmo para o Estadual, como objetivos.
Há coisa muito mais grave a tornar a saída de Filipe um desatino, mesmo no universo desgovernado do futebol brasileiro.
O recado enviado pelo presidente ao treinador, tornando o diretor esportivo um mero porta-voz numa rápida conversa no vestiário, talvez não seja digno sequer para dispensar um recém-chegado.
Mas foi este o método para romper uma relação de sete anos e dezenas de taças, instantes após submeter este profissional ao constrangimento das ofensas da arquibancada e a uma entrevista coletiva, deixando claro que Filipe era o último a saber.
Filipe Luís dá razão a cobranças da torcida: "Entendo perfeitamente" Depois, vem a avaliação técnica da demissão.
E, nesse aspecto, o futebol brasileiro ainda se supera ao rasgar mais de um ano de excelência de trabalho, de evolução na qualidade de jogo em relação ao antecessor, tornando tudo isso inútil diante de um mês e meio de dificuldade na retomada do melhor nível do time em um início de temporada.
Uma largada, aliás, em que o planejamento precisou ser alterado, colocando em campo um time que ainda não estava pronto para competir.
E, neste aspecto, da área técnica à presidência, cada um tem sua parte.
Faz pouco sentido que uma Recopa e uma Supercopa não vencidas derrubem um técnico campeão da América e do Brasil meses antes.
Tampouco havia sinais de uma desconexão irremediável entre Filipe e o elenco.