Filmes De Shrek a incels espaciais: como A Sapatona Galáctica ganhou vida6 min de leitura Pedro Henrique Ribeiro
O longa-metragem animado de Leela Varghese e Emma Hough Hobbs apresenta um mundo futurista onde o universo não é mais dominado pelos homens brancos héteros, mas sim por uma sociedade mais diversa.
Essa premissa recheia o filme com diversos debates profundos, que são sabiamente transformados em piada pelas diretoras.
O principal trunfo do filme reside na sua capacidade de costurar referências da cultura pop com um humor de detalhe meticuloso.
De acordo com Emma, o filme esconde piadas visuais que exigiram um esforço da equipe de animação, como os cinco dedos de Saira: “É uma piada de esforço muito alto e retorno muito baixo, mas eu era uma maluca e decidi que tínhamos que fazer isso porque ela é particularmente boa com as mãos" , revela a diretora.
Já Leela Varghese aponta que a fundação visual do longa busca inspirações clássicas, revelando que “o começo do filme é, na verdade, muito inspirado em Shrek e essa foi a inspiração para o livro ilustrado de abertura” .
Essa densidade de referências, que inclui penduricalhos do Babadook no celular e homenagens a Sailor Moon , serve como base para uma história que abandonou a ação pura de um "Cowboy Bebop queer" para focar na vulnerabilidade de uma comédia de amadurecimento.
Essa autenticidade se estende à construção dos Straight White Maliens, uma sátira afiada ao comportamento incel.
Para garantir que os vilões fossem ridículos e, ao mesmo tempo, representassem uma ameaça reconhecível, as diretoras trouxeram o trio de comediantes Auntie Donna para o processo criativo.
“Eram homens tirando sarro de incels e da cultura masculina, em vez de apenas lésbicas” , explica Emma.
“Tentamos escrever cada personagem com um nível de empatia por cada um deles” , complementa Emma.
Com o sucesso dessa incursão intergaláctica, a dupla já planeja levar essa mesma sensibilidade cômica para novos gêneros, mirando em públicos ainda