Lula contrariou Casa Civil e cedeu a pedido de Boulos em revogação de decreto que previa concessão de rios
A revogação foi resultado de um embate entre a ala pró-indígena, liderada por Boulos, e ministros como Rui Costa, que defendiam a manutenção da medida.
A decisão presidencial foi influenciada pela crescente pressão de povos indígenas e pela repercussão negativa do decreto nas redes sociais.
Representantes indígenas rejeitaram qualquer negociação de "meio-termo", forçando a revogação completa do decreto após reuniões no Palácio do Planalto.
Indígenas protestam há um mês contra hidrovias e dragagem em rios amazônicos A revogação do decreto que previa a concessão dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins à iniciativa privada, anunciada nesta segunda-feira (23) , foi antecedida por uma série de embates tensos dentro do governo, que forçaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a tomar uma decisão na Coreia do Sul, onde cumpre viagem oficial.
Os ministros Sônia Guajajara (PSOL), dos Povos Indígenas, e Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, integravam a ala favorável à derrubada do decreto.
Do outro lado, pela manutenção da medida, se posicionaram os ministros Rui Costa (PT); da Casa Civil, Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura; Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos; e Jorge Messias, advogado-geral da União.
No fim das contas, Lula decidiu a favor do grupo liderado por Boulos e Guajajara, contrariando a Casa Civil – o que tem sido raro nos últimos meses.
🔎 As discussões dentro do governo sobre o decreto se arrastam por pelo menos três meses.
Em novembro do ano passado, indígenas, ambientalistas e movimentos sociais organizaram protestos na COP30 exigindo, entre outras coisas, a derrubada da medida, que havia sido articulada pela Casa Civil e pelo Ministério da Agricultura.