Alliatti: Provocações de Vini não são salvo-conduto para racismo
denuncia racismo, e árbitro aciona protocolo após golaço contra Benfica Sempre que Vini Jr levanta a voz para denunciar um episódio de racismo, um coro reage de imediato: ele é provocador, ele é debochado, ele é desrespeitoso – como se houvesse, nas atitudes do jogador em campo, um salvo-conduto para a reação criminosa.
Embora a plastificação do futebol incentive comportamentos iguais, entrevistas iguais, sorrisos iguais, as personagens não são planas: elas têm ranhuras, têm falhas e qualidades, podem ser patéticas em um momento e grandiosas no instante seguinte, como na vida, como você e eu.
Eu não gosto do comportamento de Vini em campo, assim como não gosto de vê-lo protagonizando um anúncio de casa de apostas (jogador em atividade incentivando apostas?
), assim como não gosto da superexposição da vida pessoal do atacante.
E isso não me impede de admirar seu talento, de considerá-lo um craque raro.
E de achar sua postura antirracista profundamente admirável.
com a camisa sobre a boca — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP Vini poderia escolher o conforto do silêncio.
Mas ele preferiu o combate: contra adversários, torcidas, federações.
Fico me perguntando sobre o tamanho desse exemplo, sobre o tanto de jogadores, atuais e vindouros, que veem um astro mundial comprando essa briga e decidem que, caso aconteça com eles, farão o mesmo.
É provável que o episódio desta terça-feira, no jogo entre Real Madrid em Benfica , em Lisboa, pela Liga dos Campeões, não vá adiante.
Vini acusa o argentino Prestianni de tê-lo chamado de macaco.