Análise: Desfile sobre Lula dialoga diretamente com campanha à reeleição
Passou por Folha, Valor, Estadão e Crusoé O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói pareceu feito pelo marqueteiro do presidente Lula, Sidônio Palmeira.
As principais apostas da campanha eleitoral estavam lá , com destaque para a proposta de redução da jornada de trabalho e a "Taxação BBB", expressão que petistas usam para classificar a estratégia do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda de diminuir impostos sobre os mais pobres, aumentando os dos mais ricos, os três "Bs": bilionários, bancos e bets.
Bandeiras eleitorais de campanhas passadas também estavam lá, como ao Luz para Todos (“Acesso à Luz Elétrica”), ao Minha Casa, Minha Vida (“O Sonho da casa própria”), e ao Pro Uni ("Tem filho de pobre virando trabalhador").
O ar de campanha eleitoral estava também na ridicularização dos adversários.
Uma ala foi chamada de "Menino veste rosa e menina veste azul", expressão dita pela então ministra dos Direitos Humanos de Jair Bolsonaro, Damares Alves, para apontar o pensamento do governo sobre questões de gênero.
No programa enviado à Liesa (Liga independente das escolas de samba do Rio de Janeiro), a escola assim descreveu a proposta: "A fantasia traz uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos.
Na cabeça dos componentes, há uma variação de elementos para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo.
São eles: os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher de classe alta (perua), os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos.
No Congresso Nacional, formam um bloco conservador que defende pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas, interesses do agronegócio e dos valores tradicionais da família", explica a escola.