Filmes Ótima adaptação de Quarto do Pânico encontra força em sua crítica social4 min de leitura André Zuliani
O cinema mundial tem exemplos de sobra, seja na bilionária indústria norte-americana ou em outros mercados, de releituras que deram certo e outras que nem tanto.
Talvez o maior obstáculo seja traduzir a história original para uma mídia, um novo tempo ou até mesmo um povo público.
É por isso que ver a versão nacional de Quarto do Pânico ter êxito mesmo quando comparado ao original chega a dar orgulho do cinema brasileiro.
Na versão de David Fincher , lançada em 2002 e estrelada pela dupla Jodie Foster e Kristen Stewart , o foco era a decadência de uma classe média alta dos Estados Unidos que já não mais se via segura dentro de seu mundinho particular.
Era o pós 11 de setembro, e o cinema norte-americano abraçou histórias de violência (dentro e fora do país) para reforçar essa insegurança em busca de, eventualmente, encontrar novamente a esperança dentro da força de seus personagens.
Em sua releitura, Gabriela traz os eventos de Quarto do Pânico para a realidade brasileira, com todas as suas nuances sociais que vão da misoginia ao preconceito.
O trunfo da nova versão começa na escolha de colocar a narrativa de Quarto do Pânico sob um olhar totalmente feminino.
Na trama, Mari ( Ísis Valverde ) perde o marido em um assalto à mão armada e se vê obrigada a se mudar com a filha pré-adolescente ( Marianna Santos ) para uma casa (supostamente) mais segura dentro do coração da classe média paulistana.
A tal casa conta com um quarto do pânico criado especialmente para situações de extremo risco, como uma invasão ou algo do tipo.
Mas para o azar das duas, o perigo as encontra logo na primeira noite em seu novo lar.
Ao encaixar Quarto do Pânico dentro da realidade brasileira, Gabriela traz um trio de invasores que reflete as várias faces da sociedade tupiniquim.