Já maratonou? Leia crítica de A Arte de Sarah, da Netflix
Leia crítica de A Arte de Sarah, da Netflix Créditos da imagem: Cena de A Arte de Sarah (Reprodução) “ Se você começa com um blefe, mas seu blefe é bem-sucedido, você não está mais fazendo uma trapaça: está administrando um negócio ”.
Esta é basicamente a premissa de A Arte de Sarah , encarnada em uma frase da personagem título, vivida por Shin Hye-sun ( De Volta às Raízes ), uma mulher misteriosa que, após supostamente comandar a expansão sul-coreana de uma marca de bolsas de luxo, e conquistar boa parte da alta sociedade de Seul no processo, aparece morta nos esgotos da cidade.
É o gatilho para um k-drama que propõe desvelar a artificialidade absoluta que cerca as instituições, relações e marcadores de status da elite.
Nesse sentido, então, a série criada pela roteirista estreante Chu Song-yeon se aproxima de outro hit da Netflix : Inventando Anna , de 2022.
São, ambas, histórias de vigaristas que provam o quanto os corredores da influência, da tradição e do dinheiro são regidos por pouco mais do que o “cara-crachá” soberbo de quem já está lá dentro.
Se você parece ter grana, e circula pelos mesmos lugares de quem tem grana, pouco importa o fato de você não ter – até porque é muito fácil fazer todo mundo lhe dar um pouco, seja sob o guiso de um investimento exclusivo ou de um empréstimo amigável.
A diferença entre Anna e Sarah , é claro, é que só uma delas existiu de verdade.
Enquanto a minissérie estrelada por Julia Garner tinha, portanto, um compromisso (mesmo que frouxo) com a realidade, o k-drama não tem, e se aproveita disso para ser ainda mais incisivo na abordagem de seus temas, na denúncia de uma elite que vive dessa retroalimentação infinita enquanto vende para “a ralé” a ideia de que o mérito e a esperteza são o bastante para qualquer um chegar onde eles chegaram.
Daí que, quando A Arte de Sarah martela a ideia de que a trapaça operada por sua protagonista na verdade não teve nenhuma vítima, apenas cúmplices em busca de proteger seus privilégios, o impacto é ainda maior.