Gisèle Pelicot detalha reação ao descobrir que havia sido estuprada por vários homens: ' Isso é montagem'
O relato em primeira pessoa será comentado pela autora em sua primeira entrevista na TV francesa nesta quarta-feira (12).
O caso de abuso sexual sofrido por Pelicot ganhou notoriedade internacional depois que ela pediu que o julgamento fosse realizado de forma pública em 2024.
Em seus escritos, Gisèle Pelicot revisita o julgamento de Avignon, no sudeste da França, que ganhou repercussão global pela gravidade dos crimes, pelo número de acusados e pelo pedido de audiência pública feito por ela.
“Quando penso no momento em que tomei minha decisão, digo a mim mesma que, se tivesse vinte anos a menos, talvez não tivesse ousado recusar o julgamento fechado.
Eu temeria os olhares, esses olhares malditos com os quais uma mulher da minha geração sempre teve de lidar”, afirma em um dos trechos publicados.
“Talvez a vergonha vá embora mais facilmente quando se tem 70 anos e já não chamamos a atenção de ninguém.
Eu não tinha medo das minhas rugas, nem do meu corpo”, confessa a autora, em um relato de suas memórias escrito em parceria com a jornalista e romancista Judith Perrignon.
Ainda assim, Gisèle descreve um “sentimento difuso” antes do julgamento: “Ele [Dominique Pelicot], eu mal podia esperar para ver diante de mim.
“Quanto mais o julgamento se aproximava, mais eu me imaginava me tornando refém de seus olhares, de suas mentiras, de sua covardia e de seu desprezo”, continua.
”, chegou a se perguntar sobre a possibilidade de julgamento a portas fechadas.
A incredulidade inicial: “Não sou eu” No livro, ela também descreve o choque ao descobrir na delegac