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“O Morro dos Ventos Uivantes” é a fantasia sadomasoquista de Emerald Fennell

Por Kevin Ribeiro • 10/02/2026 às 15:07
“O Morro dos Ventos Uivantes” é a fantasia sadomasoquista de Emerald Fennell

Sempre fui fã de romances de época, e, esperando mais uma típica história do gênero, fui surpreendida por personagens cruéis, uma atmosfera opressiva e, claro, pela escrita ousada de Emily Brontë.

E confesso que fiquei com o pé atrás ao descobrir que Emerald Fennell estava trabalhando em uma nova adaptação para os cinemas — principalmente quando o elenco foi anunciado.

Margot Robbie e Jacob Elordi não são, exatamente, os rostos que vêm à cabeça ao ler a história.

A escolha de Elordi, em particular, causou um grande burburinho: outra vez um ator branco assumiria o papel de Heathcliff.

Outra vez toda a problemática racial do clássico — que desempenha um papel fundamental na narrativa — seria apagada.

De fato, é o que acontece em “O Morro dos Ventos Uivantes” de Fennell, que usou as bases do livro para criar sua própria fantasia sadomasoquista.

E o resultado surpreende, mas, para quem leu a obra, também deixa um sabor agridoce.

Para aqueles que não estão familiarizados com o livro de Brontë, O Morro dos Ventos Uivantes retrata o relacionamento conturbado de Catherine (ou Cathy) Earnshaw e seu irmão adotivo, Heathcliff, ao longo de vários anos.

Ainda criança, Heathcliff é trazido para a casa da família Earnshaw pelo pai da menina, que encontrou o órfão em uma de suas viagens.

A chegada de Heathcliff não é bem vista por ninguém além do patriarca, que trata de mimar o menino e o acolhe como seu próprio filho.

Mas não demora até que Cathy se torne amiga do recém-chegado — ao ponto de se tornarem não apenas inseparáveis, mas, também, irrefreáveis em suas traquinagens.